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  • Foto do escritorZeev Katz

Minha jornada na Engenharia Clínica - Capítulo I: os Primórdios por Zeev Katz

Como quase tudo, minha jornada pela engenharia clínica começou com um acaso, apesar de dizerem que na vida não existem acasos. Mas toda jornada é uma história e vamos precisar voltar um pouco antes do começo para poder contá-la. Eu estudava Engenharia Elétrica na UNICAMP e já estava próximo de concluir o curso. Eu tinha vindo de Recife especialmente para estudar lá, foi um sonho de adolescente.


Mas agora o futuro batia novamente na porta e, como sempre acontece em tais momentos, havia muitas perspectivas. O difícil era descobrir a melhor. Eu queria muito voltar a morar no Recife, também queria poder atuar em um ramo da engenharia mais prático, mais aplicado, fugir um pouco das técnicas de simulação que tanto se via na faculdade, e poder botar a mão na massa. Daí olhava em volta buscando o caminho.


Eu nunca tinha tido interesse especial por biologia, ou fisiologia, ou pela área médica. Durante o curso não me interessei especialmente por nenhuma área, fui passando pelas cadeiras, aprendendo, mas não enxerguei uma profissão. Fiz estágio em telecomunicações, no Centro de Pesquisas da TELEBRÁS, mas não me animou como caminho. Participei de alguns processos seletivos, naquele início dos anos 90 os bancos e consultorias já estavam levando muitos engenheiros, mas não combinava com o que eu queria: voltar ao Nordeste e ser engenheiro. O que fazer? E o tempo passando.


Daí estava eu na cantina da Elétrica em uma bela manhã, conversando com os colegas, e ocorre o “acaso”. Olho pro lado e vejo um cartaz oferecendo o curso de Especialização em Engenharia Clínica lá mesmo na UNICAMP. Meu raciocínio imediato foi: Recife é dito o segundo polo médico do país, deve ter campo para essa área, minha oportunidade está aí! Alguns colegas tinham feito cursos e iniciações científicas com os professores do CEB, que oferecia o curso, e me deram os nomes. Fui lá.


A primeira notícia foi ruim, adorariam me ter como aluno, mas não restavam mais vagas. Não me desesperei, as coisas só acabam quando terminam e dão certo. Procurei o professor Saide Calil e ele me deu a opção: fazer mestrado na área ao invés da especialização, seria até um plus. E o melhor, ele me aceitaria como orientado! Fiquei muito orgulhoso. Por recomendação dele e do saudoso professor Sergio Muhlen, me matriculei na cadeira de Introdução à Engenharia Biomédica para já ir entrando no clima ainda no final da graduação.


A partir daí comecei a mergulhar nesse mundo que são a Engenharia Clínica e a Engenharia Biomédica. Para começar, precisei entender que a primeira é parte da segunda e, mesmo sendo uma fração, se expande amplamente quase sem limites. Aprendi muito de biologia e assuntos afins, que são fascinantes, conheci esses equipamentos fantásticos, que usam a tecnologia de forma genial para salvar vidas, descobri como transformar sinais vitais em números, e como fazer para que a tecnologia funcione bem nos mais diversos lugares que precisa ser usada. Bem, na verdade, isso é o que tentamos fazer cada vez melhor até hoje, mas é nosso grande desafio.


Depois iniciei o mestrado propriamente dito, com as cadeiras específicas. Tive como colegas gigantes como José Alberto Ferreira, Egon Muller, Lucio Flavio, Eber Santos, Alexandre Hermini, Carlos Kaiser e tantos outros. Como aprendi e me deslumbrei com as infinitas possibilidades que a combinação de tecnologias permitia, como fez sentido que tudo isso sem gerenciamento para nada serviria. Essa era, sem dúvida, minha profissão.


Agora, pouco se sabia de Engenharia Clínica, a tese era boa, mas precisava ser vendida, para que soubessem o que é e cogitassem em nos contratar. Juntamos com os colegas, fomos divulgar. Participamos de congressos, fomos até panfletar na feira Hospitalar que estava em seus primórdios. Esse foi o início dessa jornada, que envolveu, sorte, coragem, ousadia e a felicidade de se encontrar algo que se gosta de fazer. Mas é só o começo, tem muito mais história pra contar.

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