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  • Foto do escritorZeev Katz

Doação de Órgãos, e agora?

Recentemente o apresentador Fausto Silva recebeu um novo coração, doado pela família de um jovem jogador de futebol de 35 anos que morreu de causas naturais. Isso deu uma nova oportunidade de vida ao Faustão e esse assunto tem sido muito comentado: como esse gesto pode salvar várias vidas, o que pode até trazer algum conforto nesse momento de perda.


Não somente o coração pode ser doado, mas pulmões, rins, fígado, córneas, nervos, pele e outros órgãos podem ser retirados e dar vida nova para mais de 2 dezenas de pessoas. Tudo em uma só doação. Fazer isso envolve muita tecnologia. Com a morte cerebral, os órgãos ainda podem permanecer vivos por um curto período, em que todas as ações precisam ser feitas para que os transplantes possam ser completados com sucesso.


Mas vamos pensar na situação que todos nós já nos imaginamos, precisamos decidir sobre a doação de órgãos de algum ente querido. Estamos passando por um momento de dor e perda, e somos confrontadas com a decisão de doar e salvar vidas. O coração está batendo, a pessoa está respirando, o restante do corpo ainda funciona, mas o cérebro não vive mais, é a morte cerebral. Certamente vamos imaginar se o diagnóstico está correto, ou até se um milagre poderia acontecer. Qual tecnologia é usada para assegurar à família que nada mais pode ser feito além do ato magnânimo de doar?


Entender o que é chamado morte cerebral é o primeiro ponto. Ela é caracterizada pela ausência de atividade elétrica e de fluxo sanguíneo cerebral de forma permanente. O paciente não tem mais nenhuma reação voluntária, a nenhum estímulo, e não respira sem ajuda de aparelhos. Se falamos de eletricidade, medida de fluxo, aparelhos, estamos falando de tecnologias médicas. Se entendermos como essas tecnologias atuam nesse momento, vamos ficar mais seguros para enfrentar essa dura decisão.


Esses são os principais equipamentos e técnicas que são usados na determinação da morte cerebral:

  1. Eletroencefalografia (EEG): Vários eletrodos são colocados no couro cabeludo do paciente para medir a atividade elétrica do cérebro. Na morte cerebral a atividade elétrica não é detectável.

  2. Ultrassonografia Doppler Transcraniana: Avalia o fluxo sanguíneo cerebral por ultrassom. Na morte cerebral, não há fluxo sanguíneo cerebral detectável.

  3. Angiografia cerebral: A angiografia cerebral é um exame de imagem radiográfica que envolve a injeção de contraste em vasos sanguíneos cerebrais para visualizar o fluxo sanguíneo. Na morte cerebral, não há contraste detectável nas imagens angiográficas.

  4. Monitor de pressão intracraniana (PIC): Este dispositivo mede a pressão dentro do crânio. Na morte cerebral, a pressão intracraniana geralmente se mantém próxima a zero, indicando a falta de atividade cerebral.

  5. Monitor de oxigenação cerebral: Esse monitor mede os níveis de oxigênio nos tecidos cerebrais. Na morte cerebral, os níveis de oxigênio cerebral são geralmente baixos, indicando a ausência de suprimento de oxigênio para o cérebro.


Notamos que são vários tipos de tecnologia, que fazem medidas e captação de imagem com técnicas diversas. Isso é muito importante, pois se todas elas convergem para o mesmo diagnóstico, devemos concluir que ele está correto. Além disso, como toda tecnologia, elas fazem medidas claras e diretas, que podem nos dar certeza da situação. É importante conhecer e confiar nelas.


Além disso, existem rigorosos protocolos clínicos e médicos que garantem que a condição é irreversível. E assim é possível tomar essa decisão tão difícil, mas tão importante, que faz com que nosso ente querido continue vivendo em vários corpos, reduzindo a nossa perda.

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